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greve

geral.

“supônhamos”

um país com um primeiro ministro que fosse, além de aldrabão, um contumaz nisso.

impressões do crepúsculo

Pauis de roçarem ânsias pela minh’ alma em ouro…

Dobre longínquo de Outros Sinos… Empalidece o louro

Trigo na cinza do poente… Corre um frio carnal por minh’ alma…

Tão sempre a mesma, a Hora!… Balouçar de cimos de palma!

Silêncio que as folhas fitam em nós… Outono delgado

Oh que mudo grito de ânsia põe garras na Hora!

Que pasmo de mim anseia por outra coisa que o que chora!

Estendo as mãos para além, mas ao estendê-las já vejo

Que não é aquilo que quero aquilo que desejo…

Címbalos de Imperfeição… Ó tão antiguidade

A Hora expulsa de si-Tempo! Onda de recuo que invade

O meu abandonar-se a mim próprio até desfalecer,

E recordar tanto o Eu presente que me sinto esquecer!…

Fluido de auréola, transparente de Foi, oco de ter-se.

O Mistério sabe-me a eu ser outro… Luar sobre o não conter-se…

A sentinela é hirta – a lança que finca no chão

É mais alta do que ela… Para que é tudo isto…. Dia chão…

Trepadeiras de despropósitos lambendo de Hora os Aléns…

Horizontes fechando os olhos ao espaço em que são elos de ferro…

Fanfarras de ópios de silêncios futuros… Longes trens…

Portões vistos longe… através de árvores… tão de ferro!

[F.P.]

o governo

não tem direitos, só deveres!!!

ite da roede jáque

em Portugal nem tudo é mau

Por exemplo, o primeiro-ministro é péssimo.

francisco goulão a professor do ano

“Recolha” de proponentes.

Mensagens aqui e indicação de contactos para correio@algarismo.eu

Eu e a Olinda trataremos das formalidades.

 

 [info]

quando o silêncio pesado é de ouro puro

ficámos a saber qual a solução

A final.

mário manuela moura crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Algumas ligações da opinião silenciada:

Umbigo
Instituto Francisco Sá Carneiro
Correio da Manhã
Jornal da Madeira
Notícias Lusófonas
MUP
Sábado

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